Pouco a pouco, as vozes que antes pernoitavam nos meus pesadelos desaparecem. Algumas vezes ainda acordo com medo e uma incontrolável vontade de chorar, mas simplesmente ignoro como a floresta que ignora o som da queda de uma árvore.
Muitas vezes, quando eu levanto da cama pela manhã, corre o gosto de ferrugem misturado com algo doce pela minha boca que eu espero descer pelo ralo junto com a água e a espuma da pasta de dentes, enquanto olho fixamente o estranho que mê vê no espelho, e não me refiro a mim, ao meu reflexo projetado numa superfície refletora, não, nunca. Me refiro ao meu verdadeiro eu que olha todos os dias hora decepcionado hora orgulhoso do que vê.
É incrivelmente bizarro pensar que na verdade não se tem controle de si mesmo, apesar desse eu inconsciente necessitar do eu consciente para sobreviver. Fico imaginando como deve ser a sensação de um dia aleatório, acordar e simplesmente descobrir que não é você que está acordando, agora é você mesmo, a sua essência que está despertando e agindo livre de qualquer interferencia de valor, moral ou medo que venha a martelar na sua cabeça depois.
Mesmo sabendo que o que o outro eu faz vai ter conseqüências de volta para o seu eu "normal", é incrível a capacidade de se manter tranqüilo consigo mesmo ao entender que tudo o que aconteceu foi resultado do seu verdadeiro comportamento. Alguns segundos da sua vida, por causa desse comportamento, podem transformar toda sua existência num verdadeiro inferno ou num pedaço do Éden na Terra, mas nada disso depende do seu eu consciênte e sim do eu de verdade o que, além de me incomodar muito, me faz ter, cada vez mais, um medo incontrolável de mim mesma...
Status: Ouvindo Mask - Dir en Grey
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Espelhos...
Postado por Kiva Holy Fang às 16:37
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